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Assistência Técnica na América Latina: projetos que transformam sonhos em realidade

Práticas de Assistência Técnica na América Latina com Fucvam, Teto e Ukamau | Fotos: Cíntia Rodrigues

Habitação de qualidade é um direito de todos. Na América Latina, a pauta é recorrente na maioria dos países, visto que morar com qualidade e dignidade ainda é um privilégio. Reunidos no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo durante o 21º Congresso Brasileiro de Arquitetos (CBA), arquitetos e representantes de movimentos populares de luta por moradia apresentaram práticas locais e alternativas para os problemas de habitação em seus países.

Uruguai

Ramon Fratti é educador popular, militante social e integrante do Movimento Cooperativo de Vivienda por Ayuda Mutua (Fucvam) desde 1992. O uruguaio apresentou a Federação de Cooperativas e as motivações da classe trabalhadora, que se organiza em busca de uma vida mais digna para todos.

Fratti explicou que a Ayuda Mutua (ajuda mútua; cooperação; colaboração) é uma característica dos movimentos cooperativos e a Autogestión (autogestão) implica na responsabilização por parte de todos os associados na tomada de decisões. “Não somos proprietários, somos usuários. Ocupamos terras do Estado para não ter mais que ocupar”, explicou.

Brasil

Juliana Simionatto é voluntária no Teto (TECHO). A organização atua em 19 países da América Latina por uma sociedade justa e livre da pobreza. O Teto tem como objetivo criar vínculos entre assentamentos e corpo técnico para gerar soluções concretas que permitam a melhoria das condições de vida da comunidade. A base de todo o trabalho é o voluntariado.

Entre as ações desenvolvidas pelo Teto no Brasil estão a construção de hortas comunitárias, de casas de emergência e de acessos, como calçadas e pontes. Para os profissionais voluntários, um dos grandes desafios é pensar alternativas para os projetos, torna-los acessíveis e práticos, a fim de manter a qualidade do trabalho sem deixar de atender as demandas da população.

“No Chile, o Teto já trabalha como Assessoria Técnica, com exemplos de conjuntos habitacionais. A ideia é que no Brasil a gente também experimente esse processo”, destacou a voluntária.

Chile

O chileno Emilio Becerra tinha que desenvolver seu projeto de final de graduação na Universidad de Arte y Ciencias Sociales (Arcis), em Santiago, e pensou: “nada melhor do que fazer desse trabalho um projeto concreto para pessoas sem moradia”. Foi assim que ele se aproximou do Ukamau, movimento de trabalhadores em busca de democratizar a cidade e o acesso à moradia.

“Nós somos intérpretes de sonhos”, disse emocionado o arquiteto, que hoje vê seu complexo com 424 apartamentos – de 62 m² cada – virar realidade no bairro San Eugenio. “O espaço dos pedestres não se mistura com o dos automóveis. É um estímulo para a vida em comunidade. Queremos que as pessoas conversem, se encontrem para um chá, para um café. Por isso, espaços de passeio e de circulação são tão importantes”, explicou.

A obra é única no país e, se depender dos movimentos populares, servirá de exemplo para alavancar ainda mais projetos de habitação social.

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