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Artigo: A arquitetura efêmera na saúde e na pandemia da COVID-19

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Ao nos depararmos com uma das maiores pandemias deste século, vimos a arquitetura efêmera estar presente não para o lazer e festividades, mas consolidada num espaço para salvar vidas.

 

Por Ednezer Rodrigues Flores*

A convivência com este fenômeno denominado COVID-19 traz à tona a realidade das estruturas físicas de atendimento à saúde existentes no Brasil, compostas por profissionais que heroicamente atuam salvando vidas e mostrando que, apesar da falta de recursos físicos, tecnológicos e financeiros, o SUS é a única e a melhor ferramenta de atenção à saúde humana que temos, e que serve de exemplo a outras nações.

Assistimos notícias devastadoras nas esferas sanitária e política, mas também conhecemos melhor uma das ferramentas que vem se popularizando pela mídia em geral e que já conhecíamos num passado recente, perante o surto da gripe H1N1, que são os ditos “hospitais de campanha”, instalados em algumas cidades, em estádios de futebol ou áreas abertas, com o claro objetivo de reforçar o atendimento hospitalar, com o acréscimo de leitos, equipamentos e atendimento especializado. Esse tipo de construção, voltado a possibilitar atendimento esporádico e passageiro, se define nos conceitos da Arquitetura, e na terminologia técnica e legal, como sendo de construções efêmeras, evidenciadas como atividades do profissional arquiteto (a) e urbanista, com a nomenclatura de “arquitetura efêmera”.

Cabe lembrar que o termo ou a palavra “efêmera (o)”, do grego ephémeros, tem como significado o que é passageiro, transitório ou, ainda, de pouca duração.

Na história da humanidade, a arquitetura efêmera sempre esteve presente, consolidada em técnicas herdadas desde seus primórdios: as distintas migrações de povos, em busca de melhores condições de sobrevivência, propiciaram exemplos de habitações nômades e efêmeras, como é o caso dos “iglus”, das “tendas do deserto” ou, ainda, as diversas habitações indígenas.

No presente ou passado recentes, nos deparamos com a arquitetura efêmera em espaços que possibilitam atividades sociais, como feiras, exposições, espetáculos, festas populares ou particulares, onde se vê a formalização espacial de palcos e estruturas móveis para shows, construídas em um sistema estrutural pensado na resistência perene e no trabalho de montagem e transporte.

Não se pode desconsiderar que a humanidade continua convivendo com fenômenos naturais e conflitos da própria espécie, transformando o cotidiano de muitas pessoas, as quais necessitam de apoio por meio de abrigos emergenciais, acampamentos de refugiados e atendimentos à saúde. Esses espaços devem ser acessíveis, ter fonte potável de água, sistema sanitário e alimentação. É preciso também agilidade e uso de materiais sustentáveis, que podem ser locais ou flexíveis.

Ao nos depararmos com uma das maiores pandemias deste século, vimos a arquitetura efêmera estar presente não para o lazer e festividades, mas consolidada num espaço para salvar vidas.

Os chamados “hospitais de campanha” se apresentam como uma alternativa e um socorro na ampliação do atendimento à pandemia, com o aumento de leitos, de equipamentos e de profissionais, caracterizando-se como mais um equipamento urbano de atenção à saúde, num momento que evidencia as crises sociais, sanitárias e políticas do Brasil.

Cabe lembrar que toda e qualquer arquitetura só terá sucesso se seus componentes (equipamentos, pessoas e etc.) e logística de abastecimento (fontes de energia, água, esgoto e etc.), pensados em conjunto no processo de concepção espacial, estiverem presentes para evidenciar sua funcionalidade e existência.

No exercício de seu labor e criação deste tipo de arquitetura, o profissional de Arquitetura e Urbanismo leva em consideração quem será o público que usará o espaço, quanto tempo o mesmo ficará montado e qual é a mensagem que se pretende transmitir. O avanço da tecnologia e os constantes estudos das estruturas, principalmente as tensionadas, possibilitaram o uso da arquitetura efêmera em grande escala, principalmente no uso que hoje mais necessitamos, que é de atender mais e melhor a rede de saúde brasileira.

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU) cita a arquitetura efêmera, neste momento delicado que vivemos, no intuito de elucidar a sociedade e os profissionais, para que todos possam unir esforços para valorizar esta atividade exercida pelo arquiteto (a) e urbanista em prol de um bem maior, que é salvar vidas.

*Arquiteto e urbanista, Conselheiro Federal eleito pelo CAU/RS

 

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3 Responses to Artigo: A arquitetura efêmera na saúde e na pandemia da COVID-19

  1. marizelia coregliano

    Só isto?!
    Museu de grandes novidades.
    Faltou pesquisa, seriedade e profissionalismo.

  2. Moisés Pereira de Siqueira

    Excelente reflexão, para dias tão difíceis a Arquitetura está presente cumprindo seu papel para com a humanidade, propondo soluções e contribuindo para o bem maio, demonstrando sua razão de ser.

    Moisés Pereira de Siqueira
    Arquiteto e Urbanista

  3. Moisés Pereira de Siqueira

    *”bem maior”

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