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UIA2021RIO: Alfredo Brillembourg defende arquitetura com impacto social

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O arquiteto palestrou na Semana Aberta UIA2021RIO

Vertical Gym em obras. Crédito: U-TT/Divulgação

A primeira Semana Digital de debates que antecedem o 27º Congresso Mundial de Arquitetos (UIA2021RIO) teve início no dia 22 de março, com o tema da Arquitetura de Inclusão Social. No dia 23, o arquiteto e urbanista Alfredo Brillembourg foi enfático em sua apresentação ao defender a arquitetura social para as periferias. Para ele, “a Arquitetura com A maiúsculo é a arquitetura social”. Tudo mais é moda. “Eu vejo nas revistas diferentes formas e fachadas com distintos materiais e cores; lindas caixinhas bem desenhadas. Não me interessam. A ninguém devem interessar se não houver impacto social”, destacou.

Questionado, pelo também arquiteto Fernando Serapião, editor da revista Monolito, sobre o que o levou a ter uma visão social da profissão, Brillembourg contou de sua infância: “eu nasci em uma posição privilegiada e, quando criança, na Venezuela, era levado de carro para a escola. No caminho, parávamos em Chacao, para deixar a moça que cuidava de mim. Então eu via aquele bairro carente e, na escola, ficava pensando que os pobres conheciam a cidade toda, enquanto os ricos não conheciam a vida dos pobres. Quando fui para os Estados Unidos, estudar arquitetura, tentaram me ensinar com Frank Gehry, com formas, com o pós-modernismo, mas eu não achei interessante. Então comecei a ler autores como Aldo Rossi que dizia que o único lugar em que se pode ser arquiteto de verdade é na resistência às modas.”

De volta à Venezuela, Brillembourg se inspirou em Carlos Raúl Villanueva. Depois, em passagem pelo Brasil, conheceu o Programa Favela-Bairro e uma pessoa que definiu o rumo de sua carreira: o arquiteto argentino Jorge Mário Jáuregui. “Foi o Jorge que me mostrou que era possível fazer arquitetura na favela”, disse Brillembourg.

Em Caracas, fundou o Urban-Thik Tank (U-TT) e começou a pesquisar e trabalhar para comunidades. Um dos projetos foi o de um ginásio vertical em Chacao. Brillembourg lembrou como começou a idealizar o projeto, promovendo torneios esportivos para a comunidade. “Eu queria criar um espaço onde aquelas pessoas pudessem continuar jogando mesmo no período de chuvas”, disse. Num terreno de 800 metros quadrados, ergueu uma estrutura leve com um total de 4 mil metros quadrados de área construída. “Eu sou caracterizado como um arquiteto que desenha equipamentos que podem ser feitos por partes, com peças que podem ser colocadas de maneiras distintas”, comentou.

De novo em visita ao Brasil, Brillembourg conheceu o líder comunitário Gilson Rodrigues, que o apresentou à Favela de Paraisópolis, em São Paulo, para onde o U-TT desenhou o Grotão – Fábrica de Música. O projeto previa a instalação de um edifício público multifuncional no meio da favela – em uma área de desabamentos – com componentes de agricultura urbana, sistema de gestão de águas, anfiteatro público, escola de música, sala de concertos, instalações desportivas, espaços públicos e infraestruturas de transportes. Não chegou a ser executado e o local foi novamente ocupado de forma irregular sofrendo inundações, incêndios e outros problemas, situação que, para Brillembourg, reforça a importância da ação social das novas gerações de arquitetos.

O U-TT também tem desenvolvido uma série de inovações digitais para melhorar a participação social de moradores de comunidades pobres. “As cidades não são estáticas. Mudam constantemente a partir de trocas e interações”, diz. Além de Caracas, Brillembourg tem olhado para os desafios de outras grandes metrópoles como Mumbai, Nova York, Joanesburgo. “O mundo está interconectado e é preciso compreendê-lo ao máximo”, enfatiza.

Seu escritório ainda foi o responsável pela filmagem do premiado documentário Torre David, uma estrutura de 45 andares em Caracas negligenciada por mais de uma década que acabou se convertendo na residência improvisada de uma comunidade de mais de 800 famílias, transformando-se em uma “favela vertical organizada”. “Hoje temos ilhas de riqueza e guetos de pobreza no mundo todo. Precisamos quebrar isso. O arquiteto precisa expandir seu papel; talvez ele seja um pensador de sistemas, um designer estratégico”, comenta.

Em uma mensagem para os jovens estudantes e profissionais, ele insiste: “não prestem atenção à moda, porque a arquitetura se converteu em um ‘fashion statement’. E não fazemos nada se não atendermos aos 80% da população que passam necessidades.”

 

Para assistir a íntegra da apresentação de Brillembourg, acesse:

https://aberto.uia2021rio.archi/debates/o-que-e-mesmo-periferia/

Fonte: Luciana Lana | FNA
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