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Quanto vale a estratégia em projetos de arquitetura?

Joaquim Haas

Arquiteto e urbanista

Presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio Grande do Sul

 

É tarefa desafiadora empreender em arquitetura. Os escritórios vivem, com alguma frequência, um hiato na continuidade estável de trabalho. E isso impacta diretamente na administração da empresa, especialmente a manutenção de equipes: se reduz a contribuição com a formação de futuros profissionais, através de ofertas de estágios, e pouco se agrega para a construção de um mercado forte, continuo e justo.

Neste cenário, arquitetos urbanistas, em busca de oportunidades de alavancar negócios, entregam seu conhecimento mais valioso: a visão conceitual de produto. Fora raras exceções, os escritórios de arquitetura não têm sido remunerados pelos incontáveis estudos iniciais para as mais diferentes áreas. O êxito financeiro se dará em caso de negócio concretizado.

É preciso promover uma reflexão profunda: se queremos uma transformação deste conceito de mercado se fazem necessárias mudanças urgentes na forma de contratação dos serviços de arquitetura. É preciso lançar, com ousadia, um olhar para o futuro adotando novos modelos de remuneração, deixando para trás modelos de negócios que, ao longo dos anos, tornaram-se prejudiciais aos arquitetos e à arquitetura.

A “Tabela de Honorários” do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU Brasil), divulgada amplamente pelo País, tenta corrigir as distorções históricas e auxiliar na composição dos orçamentos para os mais diversos serviços de arquitetura. O projeto estratégico, a primeira fase do projeto de arquitetura, não produz qualquer remuneração, apesar das infinitas horas de trabalho. A dinâmica do mercado faz com que arquitetos não percebam que possuem, como principal diferencial, uma bagagem ímpar de conhecimento da legislação, viabilidade técnica, urbanística e ambiental e, principalmente, conhecimento técnico e formação focada em projetos criativos, inovadores e sustentáveis.

A fase de definição do produto é importante e carrega em si grande responsabilidade dos escritórios de arquitetura por promover um projeto conceitual que contemple as necessidades e desperte o desejo das pessoas pelo produto e que esteja adequado à legislação vigente.

Arquitetos que desejam permanecer atuantes, de modo significativo, terão que mostrar suas habilidades e criatividade no projeto, em planejamento, conhecimento sobre tecnologias, capacidade de visão de produtos de excelência e, com destaque, compreensão da importância do projeto estratégico como etapa fundamental da principal entrega dos escritórios: o projeto de arquitetura completo.

Ao valorizar o acúmulo de conhecimento adquirido, através de uma justa remuneração na fase do projeto estratégico, os arquitetos garantem um mercado mais justo, promovendo um ecossistema de continuidade, estabilidade financeira e qualificação dos seus próprios escritórios de arquitetura.

Saiba mais sobre a “Tabela de Honorários” do CAU/BR: www.caubr.gov.br

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5 Responses to Quanto vale a estratégia em projetos de arquitetura?

  1. Otimo artigo

  2. Caro Joaquim
    Excelente e muito apropriado.
    À estratégia, destacaria e acrescentaria ainda a viabilidade técnica, urbanística e ambiental, e capacidade de retorno financeiro.
    Infelizmente nossos empresários não querem ou não sabem reconhecer a relevância destes estudos iniciais. Tampouco respeitam ou consideram a autoria dos mesmos, quando se utilizam de imagens ou dados do produto em seus lançamentos, em geral, salvo honrosas exceções.
    Necessitamos de atitudes educativas permanentes voltadas ao “mercado”, pela nossa e pelas futuras gerações de arquitetos.
    um forte abraço
    Silvio J.J. Rocha

  3. Julio Cesar de Campos Ramos

    Muito verdadeira a temática. Mas no universo profissional a questão maior e que se impõe é da atribuição profissional, sobre a qual já me manifestei junto ao CAU e que está em discussão federal há longa data. Na verdade, desde meu ingresso há décadas na universidade. O maior acesso ao mercado, por todos os colegas, passa por esta “barreira”.

  4. Andrei Português Rosa

    Enquanto alguns arquitetos não tomarem consciência que cada e qualquer ação sua contribui para estabelecer padrões e criar a imagem de toda a profissão, nunca seremos respeitados.
    Um colega que não cobra por estudos, está agredindo a categoria. Devemos nos debruçar sobre esta questão com mais energia.

    abraço

  5. Caros colegas,vai ai uma sugestão. Ao ser procurado para os estudos e/ou conceitos arquitetônicos preliminares, os profissionais emitem um RRT (apenas deste serviço) com honorários pré-estabelecidos. Este Registro no CAU , salvo engano, tem validade de contrato, e asseguraria uma cobrança mesmo que o projeto não tenha sequência, garantindo também os direitos autorais. A cada vez mais forte representatividade do CAU irá conferir mais respeito aos nossos honorários e idéias.

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