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Legado de Clóvis Ilgenfritz da Silva recebe homenagem durante Plenária do CAU/BR

Foto: Divulgação CAU/BR

O arquiteto e urbanista Clóvis Ilgenfritz da Silva, falecido em 23 de novembro deste ano, foi homenageado durante a 31ª Reunião Plenária Ampliada do CAU/BR, realizada em Brasília dia 19 de dezembro e que reuniu conselheiros federais e presidentes dos CAU/UF. O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS), arquiteto e urbanista Tiago Holzmann da Silva, filho de Clóvis, estava presente.

“A Arquitetura Social é a marca da vida de Clóvis Ilgenfritz da Silva, como arquiteto e urbanista, militante da profissão e político. Nada mais justo do que prestarmos uma homenagem, ainda que singela, à sua memória, na presença de seu filho, Tiago Holzmann, presidente do CAU/RS, a quem desejo dar um abraço extensivo aos seus irmãos Camilo e Letícia”, afirmou o presidente do CAU/BR, Luciano Guimarães, na abertura do ato.

Ednezer Rodrigues Flores, conselheiro federal pelo Rio Grande do Sul, disse ter conhecido Clóvis Ilgenfritz da Silva “como estudante, deputado e como colega de profissão. E nossa convivência fez com que nos tornássemos amigos. O Clóvis é um exemplo de luta, profissionalismo e, acima de tudo, de experiência prática de um sistema de Arquitetura e Urbanismo voltado para a sociedade”. Segundo Ednezer, a maior homenagem que o CAU pode fazer ao colega, “um agente político, um guerreiro que lutou por um país melhor”, é aumentar de 2% para 3, 4 ou mesmo 5% a alíquota da arrecadação do Conselho destinada a projetos de incentivo à Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (ATHIS).

Para Jeferson Navolar, conselheiro federal pelo Paraná, a trajetória do homenageado ensina a importância da participação dos arquitetos e urbanistas na política, em especial nos parlamentos nas esfera federal, estadual e municipal. “Se não fossemos representados no Congresso Nacional com deputados federais como Clóvis Ilgenfritz da Silva, talvez não tivéssemos o Ministério da Cidade, o Estatuto da Cidade, o Estatuto da Metrópole, a Lei da ATHIS e mesmo o CAU”.

Em seu pronunciamento, o presidente do CAU/BR, Luciano Guimarães, lembrou que “não foram poucas as vezes em que Clóvis Ilgenfritz da Silva, convidado, se fez presente nas iniciativas do CAU/BR, dando significativos ensinamentos”. “Em 2016, Clóvis deu uma palestra em nossa 56ª. Plenária Ordinária, ocasião justamente em que foi aprovada a alocação de no mínimo 2% da receita do CAU para ações estratégicas no campo da Assistência Técnica em Habitação Social. O objetivo da ATHIS, alertou ele, não deve ser produzir apenas unidades habitacionais, mas sim produzir cidades através da habitação, ou seja, praças, infraestrutura de saneamento, transporte, escola e postos de saúde. Por isso, defendeu a operacionalização da lei como ‘política de Estado’, para que se transforme em um programa perene que assegure o direito à moradia digna às famílias de baixa renda com a assistência de um profissional qualificado. Seria algo como o SUS na área médica”.

Em 2017, continuou Luciano Guimarães, “o site o CAU/BR publicou uma série de reportagens dedicada à Habitação Social. Entrevistado, Clóvis fez uma crítica contundente contra “a arquitetura sem arquitetos”, ou seja, construções feitas por leigos ou mesmo profissionais de outras áreas. “Eles podem até saber ler uma planta, mas projeto quem faz é arquiteto”. Em 2018, ele daria outra importante entrevista para o CAU/BR, agora em uma edição especial da revista Projeto sobre Arquitetura Social editada em parceria com o Conselho. “Nela, Clóvis lamentava a falta de interesse do governo federal pela ATHIS, desde a criação da lei de 2008.”

Ao concluir, Luciano Guimarães afirmou: “Assim era Clóvis Ilgenfritz da Silva, um guerreiro do bem, que soube materializar em projetos e ações a função social do arquiteto e urbanista abraçada pela profissão no histórico do 1º Congresso Brasileiro de Arquitetos, em 1945.  Muito devemos a Clóvis, com quem tive a honra de conviver no IAB e no movimento sindical. Repito: muito devemos a Clóvis. E completo: muito temos a agradecer.”

 

 

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