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Entre preservação e memória

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Da esquerda para a direita: Paulo Ormindo de Azevedo, Fabiano de Melo e Zulu Araújo | Foto: Marcos Pereira

Entre as sessões temáticas que compuseram a programação do 21º Congresso Brasileiro de Arquitetos, é claro que não poderia faltar o debate em torno do Patrimônio Histórico e Cultural. Para falar sobre “Cultura e Memória: proteção do patrimônio cultural”, o professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA) Paulo Ormindo de Azevedo, apontou possíveis soluções para a preservação de patrimônios culturais atualmente. Ele afirma que uma das grandes dificuldades enfrentadas hoje é a preservação de conjuntos urbanos (centros históricos tombados pelo Iphan). O Brasil ainda não possui nenhuma lei específica para a sua preservação, e são poucas as cidades que os incluem em seu planejamento urbano.

Azevedo trouxe como exemplo o Centro Histórico de Salvador. Como não podiam fazer nenhuma modificação nas casas e prédios tombado, os moradores dessa região se estabeleceram em favelas ou casas abandonadas. No entanto, mesmo sendo desfavorável ao tombamento, é essa mesma população quem faz uso dos espaços no Centro.  “A classe média baiana perdeu a ligação que tinha com o Centro Histórico, e com isso, perdeu um pouco da sua identidade. Quem tem ainda essa relação é a população de origem africana, pois no Centro existem muitos blocos de Carnaval, grupo de capoeira e centros religiosos. Eles têm uma consciência imensa, uma visão clara e politizada do centro como território político e democrático”. De acordo com o professor, antes dos tombamentos, é necessário discutir inventários, regulamentações e a atuação de estados e municípios na preservação de patrimônios históricos culturais.

Para o diretor de cultura do Grupo Cultural Olodum, Zulu Araújo, espaço e democracia são fundamentais para construir qualquer preservação ao patrimônio. Ao questionar onde está o patrimônio cultural negro brasileiro, Araújo ressaltou que a memória é excepcionalmente seletiva. “A história brasileira não é natural, é construída de forma meticulosa para esconder o passado. A escravidão foi um crime contra a humanidade. Esquecer isso é um apagamento da luta e resistência negra, que foi um importante patrimônio cultural”. O arquiteto e urbanista, que também é dirigente da Fundação Cultural Palmares e da Fundação Pedro Calmon, destaca ainda a importância de os brasileiros conhecerem a memória da escravidão, para que nunca mais se repita.

A sessão foi mediada por Fabiano de Melo, representante do IAB Nacional na Comissão Nacional de Incentivo à Cultura (CNIC), que é responsável por analisar os projetos que serão beneficiados pela Lei de Incentivo à Cultura (LIC). “A memória funciona como uma lanterna em um quarto. A gente escolhe o que vai iluminar e acaba deixando uma parte de fora. É importante lembrar que a visão de patrimônio não deve ser excludente e sim, inclusiva”, encerrou o arquiteto e urbanista.

Cultura e Memória na Arquitetura Contemporânea

Palestra “Cultura e Memória na Arquitetura Contemporânea” | Foto: Cíntia Rodrigues

No dia do encerramento do CBA, uma das primeiras atrações do dia reuniu dois profissionais de calibre para falar sobre o resgate da cultural e da memória na arquitetura contemporânea. O gaúcho Flávio Kiefer, arquiteto e mestre pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) resgatou o trabalho feito na Vila Santa Thereza, em Bagé, e na Casa dos Rosa, em Canoas. “Juntar o novo com o antigo é um dos maiores desafios da arquitetura contemporânea”, declarou Kiefer, que também está à frente de projetos como a Casa de Cultura Mário Quintana e o projeto de reciclagem que hoje abriga o Centro Cultural CEEE Erico Veríssimo.

O arquiteto e urbanista Marcelo Ferraz, sócio-fundador do renomado escritório Brasil Arquitetura, assinou projetos como o Bairro Amarelo, em Berlim, o Museu da Imigração Japonesa, em Registro (SP) e o Museu do Pão, em Ilópolis (RS). Ferraz compartilhou suas experiências com o trabalho relacionado ao Patrimônio Histórico, como o projeto do Museu das Missões, em São Miguel (RS). Ele destacou a necessidade de arquitetos e urbanistas dedicados a projetos sociais cujo objetivo seja melhorar os espaços urbanos. “A cidade só vai ser boa se for boa para todos”, pontou. Na sequência, a mediação ficou a cargo do arquiteto e urbanista Lucas Volpatto.

 

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