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Alunos da UFRGS conquistam terceiro lugar em concurso de reexistência do Museu Nacional

O concurso Galerias da Reexistência contou com a participação de 105 equipes de todo o país.

O portal Projetar.org, do Paraná, divulgou no dia 27 de fevereiro os vencedores do Concurso Galerias da Reexistência, cuja proposta era criar um espaço efêmero de resistência, luta e reexistência para o Museu Nacional, que foi alvo de um incêndio no último ano. Dentre as 105 equipes participantes, a dupla de estudantes de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Caio Diniz de Farias e Juliano Bohrer, conquistaram o terceiro lugar.

Caio Diniz de Farias e Juliano Bohrer. Foto: Divulgação

O Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/RS) conversou com a equipe, que se conheceu na faculdade e foi aproximada pela curiosidade em volta do que se produz sobre Arquitetura e Urbanismo, principalmente, em Concursos Públicos de Arquitetura. No oitavo semestre da graduação, Caio e Juliano já participaram de seis concursos da área, dos quais apenas um não foi premiado, mas estave entre os finalistas.

“Começamos a pesquisar para poder entender e criticar o que estava sendo apresentado neste ambiente de disputas, a fim de formatarmos nossas ideias. Por conta dessa atuação, sentimos a necessidade de expormos publicamente nossas criações, concebendo uma linha própria de pensamento arquitetônico, preocupados em não nos prendermos em escolas, ideologias e referências únicas, pautando nossa visão na riqueza heterogênea de propostas que nascem da criatividade dos talentos individuais espalhados pelo mundo”. Confira a entrevista completa:

O que objetivou a participação de vocês no concurso?

O foco principal das nossas participações está centrado nas oportunidades que visualizamos de expormos os conhecimentos adquiridos na Universidade através do exercício da nossa capacidade criativa, submetendo-os ao crivo da avaliação de profissionais altamente qualificados e prestigiados, que utilizam, generosamente, seus conhecimentos para avaliarem, como jurados, os projetos dos estudantes e recém-formados, ávidos para se tornarem arquitetos e urbanistas bem-sucedidos.

Como foi o desenvolvimento do projeto e a divisão de trabalho?

O nosso processo de trabalho, diante de todos os concursos que participamos, das mais diversas naturezas, preocupa-se, inicialmente, em analisar, detidamente, o edital do certame. Temos a consciência de que os arquitetos convidados para comporem o corpo de jurados desses concursos possuem obras notáveis e reconhecimento público, por isso, procuramos conhecer a arquitetura desenvolvida por eles, para que possamos compreender suas áreas de interesses com o objetivo de facilitar a interlocução técnica com os mesmos, mas, não abrimos mão das nossas preferências no desenvolvimento do projeto, pois valorizamos muito a heterogeneidade das escolas de arquitetura.

Na sequência, abrimos a discussão de como vamos abordar o desafio contido na proposta do Concurso, e redigimos um texto explicativo, adequado as exigências e parâmetros apresentados, embasando os nossos argumentos adaptados ao contexto social, ambiental e técnico, para finalmente, pôr no papel a nossa ideia de projeto.

Após, transpomos para os softwares a ideia concebida, modelando e operacionalizando a graficação arquitetônica da apresentação do projeto.

Qual o diferencial da proposta de vocês?

É uma pergunta difícil de responder, pois respeitamos e aplaudimos todas as iniciativas dos nossos colegas que participam dos certames direcionados para o ambiente acadêmico. Acreditamos que a transpiração é tão importante quanto a inspiração, por isso, dedicamos os nossos melhores esforços para elaborar um projeto com um viés profissional, imaginando que, futuramente, estaremos no mercado de trabalho disputando a preferência e o reconhecimento através da satisfação dos nossos clientes.

 Qual a importância de iniciativas como a do Projetar.org?

Inicialmente, gostaríamos de destacar a criatividade dos idealizadores dos temas propostos, bem como, a qualidade dos editais apresentados pelo Projetar.org, pois estas características facilitam a compreensão e o desenvolvimento dos projetos a serem elaborados por todos os participantes dos certames. Neste cenário, os concursos oferecidos pelo Portal nos proporcionam um ambiente de discussão e execução, fundamentais para a nossa formação profissional, onde, independentemente dos resultados conquistados pelos participantes, o simples fato de elaborarmos o projeto e a atenção exigida ao fazê-lo, são motivos suficientes para agradecermos a oportunidade oferecida.

Como vocês avaliam a realização de concursos de arquitetura no Brasil?

Entendemos que os concursos direcionados para o ambiente acadêmico são importantes para a formação profissional dos futuros arquitetos, pois, além de incentivar a criatividade e a busca pela qualidade na elaboração dos projetos, servem como um exercício preparatório para as futuras disputas no mercado de trabalho.

Infelizmente, no Brasil, especificamente, no setor público, observamos que o concurso público de arquitetura é, ainda, uma modalidade licitatória pouco explorada, fazendo com que as obras públicas percam qualidade arquitetônica, transparência e concorrência democrática, apesar da UNESCO ter adotado como recomendação internacional para concursos de arquitetura essa modalidade, e, desde 1993, a Legislação Federal Brasileira (Lei nº 8.666/93) tenha definido o concurso como forma preferencial para a contratação de projetos pela administração pública.

Usando a França como exemplo a ser seguido, que é conhecida pela tradicional política pública dedicada à Arquitetura e atenção a esses concursos públicos, temos um cenário totalmente diferente comparado ao nosso. Enquanto na França têm-se mais de 1.200 concursos públicos anualmente, no Brasil, temos entre 10 a 12 concursos.

Independente da origem, pública ou privada, dos concursos, até então, realizados para a escolha dos projetos para uma obra específica, gostaríamos de destacar a importância de que as obras a serem executadas, atendam um critério de qualidade, e não, simplesmente, o de menor preço, pois assim estará sendo valorizada a dedicação, a criatividade e o talento dos profissionais de arquitetura e urbanismo.

 

Sobre o Projetar.org

Para o arquiteto e sócio fundador do Projetar.org, Caio Smolarek, concursos como este são extremamente importantes para auxiliar os acadêmicos em seu processo de educação. Segundo ele, a maior parte dos concursos de arquitetura para profissionais não possui uma categoria voltada para estudantes, e o diferencial do Projetar é justamente oferecer esta oportunidade para os graduandos. Além disso, os projetos agregam para o portfólio dos participantes e promovem a discussão de temas atuais, como o caso do Museu Nacional.

O Projetar.org promove regularmente concursos voltados para estudantes e profissionais recém-formados nas áreas de arquitetura e design. Para a elaboração destes editais, os sócios se reúnem periodicamente para entender quais temas são relevantes para potencializar o processo acadêmico dos alunos, e a partir disto, promover os concursos. Para as escolhas dos vencedores, são elencados corpos de jurados que possuem relação com os temas debatidos. Eles se reúnem online durante o processo de julgamento para deliberar sobre as propostas vencedoras.

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